Querido,
Vou beber hoje o meu uísque barato
Vou pôr de novo o meu vestido preto
Comer salmão ao molho asiático
Dançar ao ritmo de um samba-enredo
Embriagada, rolar-me no chão
Queimar as fotos dos meus pesadelos
Lavar a louça do café de ontem
Rever o vídeo do meu casamento
Matar o poodle que você me deu
Cuspir no anel de diamante falso
Rasgar o lenço de seda amassada
Montar meu quarto de bonecas vivas
E dissolver a gelatina lânguida
E dissolver-me num banho salgado
Depois secar a minha púbis negra
E encharcar-me no resto da casa
Despida, crua, olhar-me no espelho
E ver o tempo que marcou a pele
Sentir o vento da janela aberta
Olhar a colcha de linho rasgado
De salto alto, vou deitar na cama
E descoberta, me virar de bruços
Sem travesseiro, a parede nua
Adormecer num sonho corriqueiro.
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